terça-feira, 16 de março de 2010

Sentido.

As ideias materializaram-se. E surgiram estas imagens que, longe de serem perfeitas, dentro dos padrões de beleza da maioria, sinto que traduzem um pouco o que esta música nos diz.
A pasta de papel é mesmo assim, irregular, e não esperávamos algo "bonitinho", agradável ao olhar. Esperávamos algo um pouco disforme e que transmitisse uma mensagem.
Acho que conseguimos.
A mão, na capa transparente, parece agarrar um farol. No entanto, ao abrir a caixa, percebe-se que era só ilusão, e que na verdade a mão nunca chegou a agarrar nada. O farol, aqui, como símbolo de algo que orienta ou, num sentido mais metafórico, como símbolo da própria vida e do seu sentido.

"Eu vi, mas não agarrei".

"Por querer mais do que a vida, sou a sombra do que eu sou. E ao fim não toquei em nada do que em mim tocou".

(quase) final





sexta-feira, 12 de março de 2010

1ª proposta de trabalho - em processo...

A proposta é fazer uma composição relacionada com a letra de uma música, que utilize os Elementos Básicos da Comunicação Visual (post anterior) e as Técnicas de Comunicação Visual.

A música estava escolhida logo à partida. Não foi preguiça, mas transmissão de pensamentos. Eu a Inês somos fãs inquestionáveis da voz inconfundível de Manuel Cruz, dos Ornatos Violeta, e a primeira música que nos veio à cabeça foi a "Capitão Romance". Não que não existissem outras hipóteses, mas na minha opinião esta é a sua letra mais "visual". Não dá para ouvir sem que um conjunto de imagens nos passem pela cabeça.

"Viagem", "navegar", "Primavera". "Ondas", "mar".

"Eu vi, mas não agarrei".

Claramente uma letra que fala de olharmos a vida e deixarmos que ela nos passe ao lado. E assim surgiu a ideia do farol.
"Um farol que está perto, e que vemos através da janela do nosso navio" - dizia a Inês, como se esta imagem lhe passasse pela cabeça quando ouve a música - "e que depois já está demasiado distante".
Pegámos nesta ideia.
Tentámos fazer montagens de imagens tiradas da Internet, relacionadas com o que tínhamos em mente. Surgiram imagens como estas:


Mas nenhuma das montagens resultou como queríamos. Tomámos então nova decisão: vamos fazer tudo manualmente. Com cartolina, com pasta de papel. Com recortes, com pinturas.

Estou confiante.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Elementos Básicos da Comunicação Visual


(imagem tirada daqui)

Os elementos visuais constituem a substância básica do que vemos - são as matérias-primas de toda informação visual.

O PONTO
: é a unidade mais simples e irredutível da comunicação visual. Qualquer ponto tem uma força visual grande de atracção sobre o olho. Diversos pontos conectados são capazes de dirigir a visão. Quanto mais próximos entre si, maior a capacidade de guiar o olhar. Em grande quantidade e justapostos, criam a ilusão de tom ou cor.

A LINHA
: Pode ser definida como uma cadeia de pontos tão próximos que não se pode distingui-los. Nas artes visuais, a linha é o elemento visual por excelência. A linha pode adoptar formas muito distintas para expressar intenções diferentes. Pode ser indisciplinada, para aproveitar sua espontaneidade expressiva, delicada, ondulada, vacilante, indecisa, nervosa, etc.

A linha vertical atrai o olhar para o alto; a horizontal provoca a impressão de repouso; já a linha curva dá-nos a sensação de movimento.

As linhas rectas produzem uma sensação de tranquilidade, de solidez, de serenidade;

As linhas curvas, de instabilidade, graciosidade, alegria; a fina produz uma impressão de delicadeza; a grossa, de energia; a carregada, de resolução, violência; a linha comprida dá sensação de vivacidade; linha curta, de firmeza.

FORMA: A linha descreve uma forma. Na linguagem das artes visuais, a linha articula a complexidade da forma. A forma de uma zona ou contorno vai nos permitir reconhecê-la como representação de objectos reais ou imaginários.

DIRECÇÃO: Os contornos básicos expressam três direcções visuais significativas. O quadrado, as direcções horizontal e vertical; o triângulo, a diagonal; e o círculo, a curva. Cada uma dessas direcções é uma valiosa ferramenta para a confecção de mensagens visuais. A referência vertical-horizontal constitui a referência primária do homem. A diagonal, ao contrário, é a força direccional mais instável e provocadora. As curvas têm significados associadas ao enquadramento, à repetição e ao calor.

TOM: A luz rodeia as coisas, reflecte-se nas superfícies brilhantes, incide sobre objectos que já possuem uma claridade ou obscuridade relativa. As variações de luz, ou seja, os tons, nos fazem distinguir o que está à nossa volta. Vemos o escuro porque está próximo ou se sobrepõe ao claro, e vice-versa. O tom é um dos melhores instrumentos de que se dispõe para indicar e expressar a tridimensionalidade dos objectos.

TEXTURA: A textura pode ser percebida tanto pelo tacto quanto pela visão. Mas é possível que uma textura não tenha nenhuma qualidade táctil, somente óptica. Já quando há uma textura real, coexistem ambas as sensações. A maior parte da nossa experiência com as texturas é visual, e a maioria dessas texturas não está realmente ali.

DIMENSÃO: A representação da dimensão em formatos visuais bidimensionais também depende da ilusão. A dimensão existe no mundo real. Não só podemos senti-la, mas também vê-la, com o auxílio da nossa visão estereóptica e binocular. Mas em nenhuma das representações bidimensionais da realidade, como o desenho, a pintura, a fotografia, o cinema e a televisão, existe uma dimensão real; ela é apenas implícita. A ilusão pode ser reforçada de muitas maneiras, mas o principal artifício para simulá-la é a convenção técnica da perspectiva. Os efeitos produzidos pela perspectiva podem ser intensificados pela manipulação tonal, através do claro-escuro, a dramática enfatização de luz e sombra.

ESCALA: Todos os elementos visuais são capazes de se modificar e se definir uns aos outros. O processo constitui, em si, o elemento daquilo que chamamos de escala. A cor é brilhante ou apagada, dependendo da justaposição, assim como os valores tonais relativos passam por enormes modificações visuais, dependendo do tom que lhes esteja ao lado ou atrás. Por outras palavras, o grande não pode existir sem o pequeno. Porém, mesmo quando se estabelece o grande através do pequeno, a escala toda pode ser modificada pela introdução de outra modificação visual. A escala pode ser estabelecida não só através do tamanho relativo das pistas visuais, mas também através das relações com o campo ou com o ambiente. Em termos de escala, os resultados visuais são fluidos, e não absolutos, pois estão sujeitos a muitas variáveis modificadoras.

MOVIMENTO: Como no caso da dimensão, o elemento visual do movimento encontra-se mais frequentemente implícito do que explícito no modo visual. Contudo, o movimento talvez seja uma das forças visuais mais dominantes da experiência humana. Na verdade, o movimento enquanto tal só existe no cinema, na televisão e onde quer que alguma coisa visualizada e criada tenha um componente de movimento, como no caso da maquinaria. As técnicas, porém, podem enganar o olho; a ilusão de textura ou dimensão parecem reais graças ao uso de uma intensa manifestação de detalhes, como acontece com a textura, e ao uso da perspectiva e luz e sombra intensificadas, como no caso da dimensão. A sugestão de movimento nas manifestações visuais estáticas é mais difícil de conseguir sem que ao mesmo tempo se distorça a realidade, mas está implícita em tudo aquilo que vemos, e deriva da nossa experiência completa de movimento na vida. Em parte, essa acção implícita projecta-se, tanto psicológica quanto cinestesicamente, na informação visual estática.

Texto retirado de:

http://www.fatecjp.com.br/Elementos%20Basicos%20da%20Comunicacao%20Visual.pdf

200.134.81.163/professores/adm/download/.../142105.doc