terça-feira, 18 de maio de 2010

A Infografia

"Em 1806, foi publicado em Londres o primeiro gráfico informativo – leia-se infográfico – da história da imprensa. Pelo menos é isto que defendem autores como Peltzer (1991) e Souza (2005), apenas para citar alguns. O tema do recurso gráfico-textual foi um típico caso de hard-news, qual seja, o assassinato de um homem. Nestes dois séculos que separam esta primeira publicação dos dias actuais, muita coisa mudou no fazer jornalístico e, em muitos veículos, não se percebe uma evolução efectiva – não tecnológica, propriamente, mas conceitual - do uso da infografia jornalística, quando comparada àquela primeira representação - apesar de todos os avanços registados neste período e a massivamente destacada importância das imagens para a comunicação na contemporaneidade." (Teixeira, 2008)


Infografia é informação gráfica, visual, que existe desde a primeira união comunicativa entre um desenho ou uma pintura enfatizados por um texto alusivo (De Pablos, 1999). Os seus conteúdos são: factos ou acontecimentos; a explicação de como algo funciona ou a informação de como é uma coisa (Peltzer, 1991)


Alguns autores consideram-na um género jornalístico (Alonso, 1998; De Pablos, 1999; Sojo, 2002), outros discordam da classificação e referem-se à infografia como uma técnica, uma disciplina, um recurso, uma ferramenta informativa, uma ilustração, uma unidade espacial (Colle, 1998; Clapers, 1998; Leturia, 1998; Cairo, 2004).


A estrutura básica de uma infografia deve conter Título, Texto, Corpo e Fonte (Leturia, 1998), responder às questões básicas de construção da notícia e conter elementos de uma narração (Borrás e Caritá, 2000). O Título deve expressar o conteúdo do quadro; o Texto deve ser explicativo, mas não redundante; o Corpo é a própria informação visual, as imagens, fotos ou figuras acompanhadas por números ou flechas; a Fonte garante a veracidade da informação.


Nos meios impressos, a infografia é utilizada desde seus primórdios para explicar com maior clareza algum aspecto informativo tratado nos textos. Aparece hoje na Web de duas formas: como informação complementar de uma notícia, geralmente servindo de ilustração para o texto, ou como a própria notícia, a informação principal, o que ainda ocorre em poucos casos. (Ribas, 2004)


A infografia multimédia mantém as características essenciais da infografia impressa, mas ao ser realizada através de outros processos tecnológicos, agregar as potencialidades do meio e ser apresentada em outro suporte, estende sua função, altera sua lógica, incorpora novas formas culturais. (Ribas, 2004)


De Pablos (1999) aconselha que não se deve infografar sempre e descreve alguns casos em que o jornalista deve utilizar uma infografia: quando não há fotografia ou ela diz pouco ou não abarca a cena; quando a notícia se encontra rodeada de mistério; para dar uma explicação mais minuciosa; apresentar uma sinopse; mostrar o interior de um edifício; quando o acontecimento é um assassinato ou acidente; explicar um desporto; informar fenómenos espaciais ou da natureza; destacar detalhes; divulgar fatos culturais; apresentar uma estratégia; aconselhar a população sobre perigos de certas atitudes; comparar dimensões; etc...


Já para Clapers (1998), sendo o conteúdo de uma infografia a síntese coerente de uma notícia, qualquer tema jornalístico pode ser infografado. Uma boa infografia é aquela que produz sentido independentemente da matéria, não é redundante quando acompanha um texto, buscando sempre outra perspectiva, ajuda o leitor a entender o conteúdo da notícia, permite fácil leitura e uma visão global do assunto.


Nesta forma de comunicar, “o texto é um elemento complementar, pois serve para situar e explicar o conteúdo do desenho. Assim como o desenho não pode reduzir-se a mera ilustração, já que o informativo deve sempre primar sobre o estético, pensamos que tampouco o texto pode ser tratado como um simples recurso decorativo, de recheio ou adorno. Ser complementar não implica que seja acessório” (Alonso, 1998)


Fonte:

RIBAS, Beatriz, "Infografia Multimídia: um modelo narrativo para o webjornalismo", 2004. Disponível em

http://www.facom.ufba.br/JOL/pdf/2004_5iberoamericano_salvador_infografia.pdf


TEIXEIRA, T. A presença da infografia no jornalismo brasileiro – proposta de tipologia e classificação como gênero jornalístico a partir de um estudo de caso. Revista Fronteiras - Estudos Midiáticos, Brasil, v. 9, n. 2, 2008.

Disponível em http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/fronteiras/article/view/5749/5207.

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